Anvisa proíbe suplementos alimentares à base de ora-pro-nóbis

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta quinta-feira (3), a proibição de suplementos alimentares contendo ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata). A decisão se deve ao fato de que a planta não está autorizada como constituinte para esse tipo de produto, pois ainda não passou por avaliação científica que comprove sua segurança e eficácia.

A medida não interfere no consumo da planta in natura, que continua liberada para uso alimentar. Tradicionalmente consumida nos estados de Goiás e Minas Gerais, a ora-pro-nóbis é conhecida por seu alto teor proteico e propriedades nutricionais.

Critérios para a autorização de suplementos
Para que um ingrediente seja incluído na formulação de suplementos alimentares, ele precisa passar por avaliação científica, comprovando que realmente fornece nutrientes ou substâncias relevantes para a saúde.

A Anvisa reforça que suplementos alimentares não são medicamentos, e portanto, não podem alegar efeitos terapêuticos, como tratar, prevenir ou curar doenças. Seu objetivo é apenas complementar a alimentação de pessoas saudáveis.

As empresas interessadas em comercializar suplementos à base de ora-pro-nóbis devem apresentar estudos científicos que comprovem sua eficácia e segurança antes de obter autorização para venda.

O que é a ora-pro-nóbis?
A ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata) é uma Planta Alimentícia Não Convencional (PANC), amplamente utilizada na culinária brasileira. Rica em proteínas, fibras, ferro, cálcio e vitaminas A e B3, pode ser consumida em saladas, sopas, refogados e chás.

Entre seus possíveis benefícios estão:
  • Auxilia no emagrecimento: promove saciedade por ser rica em fibras.
  • Melhora o funcionamento intestinal: ajuda na digestão e previne prisão de ventre.
  • Fortalece o sistema imunológico: contém antioxidantes, como a niacina.
  • Previne anemia: é uma fonte importante de ferro.
  • Protege a saúde dos olhos: possui luteína e zeaxantina, que reduzem danos causados pelos raios UV.
Especialistas alertam sobre a suplementação
A decisão da Anvisa levanta um debate entre especialistas. A nutricionista Adriana Molica, especializada em emagrecimento e psiquiatria nutricional, alerta para a presença de fatores antinutricionais na planta, como os oxalatos, que podem contribuir para a formação de cálculos renais em consumo excessivo.

"O consumo in natura é seguro, mas o uso concentrado em suplementos deve passar por uma análise mais criteriosa", explica Molica.

A médica nutróloga Eline de Almeida Soriano, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), também destaca que, apesar do alto teor proteico da planta, ainda faltam estudos científicos para validar seu uso como suplemento alimentar.

"Mais pesquisas são necessárias para avaliar os efeitos do consumo frequente e em altas concentrações", afirma Soriano.

A decisão da Anvisa reforça a necessidade de mais estudos científicos antes da liberação do ora-pro-nóbis em suplementos alimentares. Enquanto isso, a planta continua sendo uma opção nutritiva na alimentação cotidiana, desde que consumida de forma equilibrada.